28 Setembro 2009

Técnicas de pesquisa sociológica

· Técnicas documentais – observam-se documentos escritos, ou não, que revelam fenómenos sociais. As técnicas documentais podem subdividir-se em clássicas (permitem uma análise qualitativa em profundidade, mas são muito subjectivas), e em modernas (permitem uma análise quantitativa e são extensivas, cobrindo um amplo campo de estudo, pelo que complementam as técnicas clássicas)
Os tipos de técnicas modernas mais frequentes são a semântica quantitativa (estuda o vocabulário dos textos, por forma a analisar os estilos, a detectar lacunas, etc.), e a análise de conteúdo, uma técnica de investigação para a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo das comunicações que tem por fim interpretá-las.
· Técnicas não documentais – consiste na recolha de informações através da observação/experimentação. Dentro destas, existem, ainda, a observação participante (o observador integra-se no grupo observado, o que lhe permite fazer uma análise global e intensiva), e a observação não participante (o entrevistador não intervém na situação em estudo)
A observação participante pode subdividir-se em observação-participação (implica que o observador seja aceite, ao ponto de se integrar no grupo que observa; ou participação-observação (o investigador, por não ter possibilidade de se integrar no grupo que quer investigar, recorre à colaboração de um participante-observador que aceite submeter-se às ordens de rigor que lhe são dadas pelo investigador).
No entanto, a observação participante pode constituir uma armadilha, pelo que pode ocorre perigo de o observador cair na participação inobservante, resultante da interiorização dos interesses e das ideias do grupo a estudar, ou perigo que o observador cair numa participação distante e fria, o que pode impedir um estudo em profundidade do grupo social observado.
Quanto à observação não participante, esta pode tomar a forma de entrevistas, inquérito por questionário ou testes e medida de atitudes e opinião.
As entrevistas constituem uma técnica que pode ir do breve contacto formal a uma entrevista longa e relativamente vaga, na qual o investigador permite ao entrevistado desenvolver pontos à sua vontade ou sugerir outros que deseja considerar. O ponto básico da técnica da entrevista é a construção do questionário sobre o qual cada entrevista se efectua. As questões devem centrar-se, portanto, sobre o entrevistado.
Dentro das entrevistas, há, ainda, as entrevistas estruturadas (obedecem a um esquema rígido, previamente fixado, que o entrevistador deverá respeitar integralmente: o enunciado das perguntas e a ordem por que são feitas são fixos. Neste tipo de entrevistas, as questões são, geralmente, fechadas, ou seja, o entrevistado não tem a possibilidade de desenvolver a sua resposta. O objectivo é conseguir uma estandardização máxima da entrevista), e as não estruturadas (a condução por parte do entrevistador é mais flexível, podendo orientá-la com a sequência e as questões que julgar mais convenientes, de acordo com a sua sensibilidade e tacto. As questões apresentadas são, sobretudo, abertas, isto é, o entrevistado tem a possibilidade de exprimir e justificar livremente a sua opinião. Neste tipo de entrevistas, não existe uma lista pré-definida de questões que possa ser rigorosamente seguida. O entrevistador tem, apenas, um guia de tópicos que lhe recorda os temas sobre que deve inquirir).
As entrevistas podem ser de tipo intensivo (centra-se num individuo, sem limites de tempo e com ampla liberdade) ou extensivo (entrevista curta e superficial, abrangendo um conjunto relativamente alargado da população).
O inquérito por questionário possibilita obter dados através do questionário, consistindo em apresentar um conjunto pré-determinado de perguntas à população. O questionário é, portanto, um conjunto estruturado de questões expressas num papel, destinado a explorar a opinião das pessoas a que se dirige.
Os questionários podem ser de tipo livre ou aberto (deixa-se toda a latitude de resposta ao inquirido. A principal vantagem é o facto de permitir à pessoa interrogada dar uma resposta livre e pessoal, sendo que as desvantagens são, essencialmente, o facto de poderem dar origem a respostas equívocas, contraditórias ou ilegíveis, e o facto de serem de difícil apuramento, em consequência da multiplicidade de respostas possíveis); fechado (feito sem qualquer maleabilidade, seguindo um plano rígido, no qual a ordem das questões e os seus termos se mantêm invariantes. Vantagem: permite canalizar as reacções das pessoas interrogadas para algumas categorias muito fáceis de interpretar. Inconveniente: tem a ver com o aspecto técnico do questionário); ou semi-aberto ou semi-fechado (combinação das vantagens dos 2 tipos anteriores, com vista à redução dos seus inconvenientes. Neste tipo de inquérito, as questões podem são fechadas, mas dá-se a possibilidade da resposta ser livre).
Por outro lado, os testes e medida de atitudes e opinião visam o conhecimento quantificado e directo do comportamento do sujeito. As medidas de atitudes e opinião têm por objecto a graduação da respectiva intensidade, possibilitando a ordenação dos indivíduos ao longo de uma escala. Estas técnicas são criticadas pelo seu carácter subjectivo e pela ausência de um padrão estandardizado de medida. As escalas de atitudes e opiniões visam superar esse subjectivismo, através da utilização de um sistema pré-construído de proposições sobre as quais o inquirido toma posição.
Tipos de questões a incluir num inquérito por questionário: questões fechadas (apuramento rápido dos resultados / pobreza das informações obtidas; as perguntas podem ser feitas de forma tendenciosa); questões abertas (grande abundância e riqueza de informações / dificuldade no tratamento dos dados, dada a variedade de respostas, a maior parte das vezes, pouco objectivas); questões semi-abertas ou semi-fechadas (facilidade e rapidez no apuramento dos dados; informação suficiente, dado ser apresentada a justificação da resposta).
As sondagens são uma modalidade particular de inquérito por questionário, que visam obter a opinião dos inquiridos sobre determinado assunto. Os seus resultados poderão ser generalizados a um universo mais vasto. Apesar disto, esta técnica é bastante complexa, se tivermos em conta os passos da sua correcta aplicação:
· Definição dos objectivos;
· Inventariação do recursos disponíveis, o que permite determinar a extensão, os limites e a duração do trabalho a realizar;
· Identificação do universo e escolha do intervalo de confiança. É necessário conhecer o nº total de indivíduos do universo cuja opinião se deseja pesquisar, bem como a sua distribuição por categorias (profissão, idade, sexo, regiões). A esta discriminação qualitativa e quantitativa do universo dá-se o nome de breakdown do universo, que se torna fundamental para escolher o intervalo de confiança que se espera atingir no trabalho;
· Construção da amostra. Sendo que, normalmente, o universo apresenta uma enorme extensão, é preciso seleccionar uma amostra representativa desse universo, isto é, considerar uma parcela do universo que seja numericamente expressiva, a fim de representar o mais exactamente possível todo o universo. É importante que os indivíduos que compõem a amostra representativa se encontrem discriminados, afim de que a colheita das opiniões se processe nas devidas proporções. A esta discriminação dá-se o nome de breakdown da amostra;
· Elaboração do esboço do questionário, elaborando e ordenando as questões e os métodos a utilizar;
· Realização do pré-teste, destinado a assegurar a natureza e a complexidade das questões e a sua adequação aos objectivos previamente determinados;
· Elaboração do questionário definitivo;
· Recolha da informação;
· Codificação das respostas;
· Análise e tratamento dos dados;
· Elaboração do relatório final.
Vantagens da sondagem: abarcando, apenas, uma parcela da população total, exige menos recursos do que o inquérito exaustivo. Os inconvenientes prendem-se, sobretudo, com distorções que podem ser introduzidas, tanto na fase de identificação prévia da população a inquirir, como na do tratamento dos dados ou nas falhas de informação.
in www.exames.org

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