11 outubro 2009

Poligamia em Angola

Em Angola, existem até hoje comunidades poligâmicas, podendo avançar-se razões de natureza demográfica, económica e cultural para tal opção. O mais comum é a poliginia, mas existem também casos de poliandria.
Desde já, é preciso esclarecer que (contrariamente ao que se afirma na comunicação social) a poliginia não ocorre somente em comunidades patriarcais. Inclusivamente por Angola, existe poliginia em sociedades matriarcais. A matrilinearidade tem a ver com direitos de sucessão e de herança, não implicando necessariamente, pela mesma lógica, o género de casamento.
O que temos de admitir é que, em Angola, a poligamia existe em comunidades do meio rural, onde está legalizada no quadro do direito costumeiro. Ali onde existe poligamia, há razão de ser para a sua existência. O costume e a ideia de que sempre foi assim assentam em razões objectivas várias, que já enumerámos acima. E continua a haver vantagens que daí resultam para a família e para a comunidade.
Com o êxodo para aglomerados urbanos, particularmente em consequência da guerra, foram sendo levados costumes rurais para as cidades e vilas angolanas. Porém, pode dizer-se que não existe poligamia em meio urbano angolano, em proporção que aconselharia preocupação social. Os casos que existem não passam de casos isolados, sem qualquer reflexo do ponto de vista estatístico ou sociológico.
Contudo, é preciso mencionar que para que se fale em poligamia, a relação entre mais de duas pessoas tem necessariamente de ser uma relação matrimonial. Se para além do cônjuge, alguém tem um (ou uma) amante, não estamos em presença de relação poligâmica. Mesmo que a relação com o (ou a) amante seja duradoira, não há com ele (ou ela) matrimónio, portanto, trata-se de uma relação sem conhecimento e sem aceitação social.
Apesar de ser mais comum este tipo de relação, a partir do momento em que não estamos diante de matrimónio entre mais de duas pessoas, trata-se de opções pessoais de vida, que não têm de constituir problema social.
Em conclusão, pode dizer-se que existe poligamia em meio rural angolano, justificada por razões de diversa natureza – desde demográfica a cultural, passando por razões de natureza económica e social. Em meio urbano angolano, a poligamia é um fenómeno cuja dimensão sociológica é inexpressiva, razão pela qual não deve constituir preocupação social.

3 comentários:

  1. Porque mulher não tem valor?
    eles não pensam em fazer o mesmo com os homens?
    porque que mulheres que geram vida, são tão maltratadas?
    não da para entender esse descaso.

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  2. Anônimo, você não leu direito o texto? Em Angola também há casos de poliandria (uma mulher casada com mais que um homem).

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  3. Quando as mulheres não se darem valor isso nunca vai parar

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